Saltar para o conteúdo principal
Voltar ao blog
Danos por água

Mercedes Classe C W205 e W206: a água na mala mata o módulo SAM

03 Set 20268 min de leitura

No Classe C W205 e no W206 há um módulo a viver na cava lateral direita da mala, abaixo do nível do piso. Chama-se SAM traseiro e comanda a iluminação de trás, o fecho da bagageira, os sensores de acesso mãos-livres e as linhas do sensor de nível de combustível. É também o sítio mais baixo por onde a água entra.

Quando um cliente nos telefona a descrever a bateria que morre de um dia para o outro e os farolins acesos de madrugada, a primeira pergunta que fazemos não é sobre eletrónica. É se já levantou a alcatifa da mala do lado direito.

Por onde entra a água, e não é por descuido teu

Há dois caminhos, ambos com boletim técnico do construtor. O primeiro são as grelhas de despressurização atrás do pára-choques traseiro: as membranas perdem elasticidade no bordo de borracha e, com chuva forte ou lavagem a alta pressão, a projeção das rodas entra por ali e assenta no fundo da cavidade.

O segundo são os vedantes das óticas traseiras. A borracha entre o farolim e a chapa resseca com sol e amplitude térmica, a água escorre pelas calhas pluviais da mala e pinga diretamente sobre os chicotes e as fichas do módulo. Nenhum dos dois se resolve com eletrónica: resolvem-se na carroçaria, e têm de ser resolvidos antes de montar a unidade reparada.

Porque é que a humidade aqui é pior do que noutros sítios

O SAM traseiro é alimentado pelo borne 30, a linha permanente de 12V que não passa pela ignição. Isso significa que os pinos estão sob tensão 24 horas por dia, mesmo com a viatura parada há uma semana.

Junta a isso a maresia do litoral e tens eletrólise em vez de oxidação lenta. As pistas de cobre desfazem-se em poucas semanas e formam-se pontes de óxido entre pinos vizinhos. É essa fuga de corrente que impede a rede de entrar em repouso e esvazia a bateria durante a noite.

Os drivers de potência que ficam presos ligados

A iluminação traseira é comandada por comutadores de estado sólido Infineon PROFET, que ligam a linha à lâmpada e medem a corrente. Um curto provocado por corrosão faz o driver entrar em falha permanente: ou fica a alimentar o farolim com a ignição desligada, ou corta e a luz de travagem deixa de acender.

A leitura de combustível errática pertence à mesma família de sintomas. As linhas do sensor de nível chegam a este módulo, e basta uma via corroída para o mostrador cair para reserva com o depósito atestado. Não é o sensor, e trocá-lo não resolve nada.

O que o spray de contactos não faz

Secar com ar comprimido e borrifar spray de contactos dá a sensação de resolver durante umas semanas. Não elimina os sais debaixo dos circuitos integrados, e é aí, entre as esferas de solda, que a corrosão continua a trabalhar sem se ver.

O que trata a sério é banho em cuba de ultrassons, secagem em câmara térmica, reconstrução das pistas comidas pela eletrólise e substituição dos semicondutores danificados. No fim, verniz de conformação para proteger a placa da próxima vez.

Leitura em bancada
> leitura SAM traseiro — Classe C W205 / W206
⚠ B1056 anomalia interna de hardware na unidade
⚠ B1761 circuito da iluminação traseira: sobrecorrente no driver
⚠ B210F tensão do borne 30 fora dos valores de tolerância
⚠ U0140 sem comunicação CAN com o módulo de carroçaria
✔ ensaio sob carga após desoxidação: consumo em repouso normal

Escolhe o sintoma para veres a causa provável

01 / 05

Bateria vazia em poucas horas

Fugas internas impedem a rede de entrar em repouso

O que muda na fatura

Módulo novo na marca, em vez de recuperar a placa original

SAM novo no concessionário

1.700–2.800 €

mais IVA, várias semanas de espera e parametrização SCN online obrigatória — e a entrada de água continua exatamente onde estava.

vs.

Recuperação em laboratório

24–48 horas

com desoxidação química, pistas refeitas, semicondutores substituídos e verniz de conformação, devolvido Plug & Play com as codificações originais.

O que fazer antes de autorizar um orçamento

  1. Passo 01

    Levanta a alcatifa do lado direito da mala

    Se houver humidade ou marca de água, tens a causa antes de gastar um euro em diagnóstico

  2. Passo 02

    Inspeciona as grelhas atrás do pára-choques e os vedantes dos farolins

    Sem estancar a origem, qualquer reparação é temporária

  3. Passo 03

    Mede o consumo em repouso antes de comprar bateria

    Uma que morre em horas está a ser descarregada por alguém

  4. Passo 04

    Recusa a secagem com spray como reparação

    Os sais ficam debaixo dos integrados e a corrosão continua a alastrar

  5. Passo 05

    A oficina desmonta e coordena connosco o envio

    O módulo sai da cava da mala e a viatura fica onde está

Tens um Classe C W205 ou W206 com humidade na mala, bateria a morrer ou luzes traseiras com vida própria? Manda-nos o ano, o VIN e o código de avaria.

Perguntas frequentes

Depois da reparação é preciso codificação SCN no concessionário?

Não. Recuperamos a placa original da tua viatura ou clonamos os dados de parametrização para um módulo homólogo. O VIN, o equipamento opcional e a sincronização com o EZS ficam intactos, e a montagem é ligar as fichas.

Secar o módulo e aplicar spray de contactos não chega?

Não chega, e costuma custar mais caro no fim. A água com sais da maresia, somada à tensão permanente do borne 30, deixa depósitos debaixo dos integrados que nenhum spray alcança. A corrosão reaparece semanas depois, já com mais placa destruída.

O que deve a oficina verificar antes de montar o módulo reparado?

A entrada de água, sempre. Substituir os vedantes das grelhas do pára-choques traseiro, confirmar a estanquicidade das óticas e desobstruir os canais pluviais da mala. Se a carroçaria continuar a deixar entrar água, a unidade volta ao mesmo estado.

O teu carro tem algum destes problemas? Escreve-nos agora.

LigarWhatsApp