BSI do Peugeot 208 e 308 e do Citroën C3: relés, PROFET e água
Já escrevemos sobre o que a BSI faz na rede de um Peugeot ou de um Citroën e sobre a quantidade de avarias de motor que afinal nascem lá dentro. Este artigo desce um nível: o que se parte dentro da caixa, no 208 de primeira e segunda geração, no 308 II e III e no C3 II e III.
A BSI não falha de forma difusa. Tem zonas com modos de falha muito distintos, e o sintoma que descreves ao telefone aponta quase sempre para uma delas. Quem não as separa orçamenta motor de limpa-para-brisas, comutador de coluna e bateria para resolver um defeito só.
1. Os micro-relés soldados que ficam colados
As cargas pesadas do habitáculo, do motor das escovas ao desembaciador traseiro e à bomba do fecho, passam por micro-relés miniaturizados soldados diretamente na placa base. Não estão em socket, não se puxam à mão: fazem parte da placa.
Ao fim de milhares de comutações, o arco elétrico funde os platinados internos e o contacto fica preso fechado. É a explicação para o sintoma mais assustador do 208 e do C3: as escovas a varrer à velocidade máxima com a chave fora, e a bateria a esvaziar-se com a viatura trancada na rua. O relé não avariou por eletrónica, avariou por desgaste, e substitui-se por um equivalente industrial sem tocar em mais nada.
2. Os drivers PROFET que comandam as luzes
A iluminação exterior não passa por relés. É comandada por comutadores de estado sólido, os PROFET da família Infineon BTS, que ligam a linha de 12V ao farol e medem a corrente que por lá passa.
O problema aparece quando um destes drivers entra em curto interno, depois de uma oscilação na cablagem de uma ótica ou de sobreaquecimento. A saída fica permanentemente ligada e tens os médios acesos com a viatura fechada. Um B1300 costuma ser lido como "cablagem do farol", e muitas vezes o que está em curto é o andar de potência dentro da BSI.
3. O caminho que a água faz até à placa
Vale a pena percorrê-lo, porque quem não o conhece repara a BSI e vê-a estragar-se outra vez. Folhas e detritos entopem os tubos de escoamento sob a grelha do pára-brisas. A água transborda pela passagem de cablagens do corta-fogo e escorre pelo pilar A até aos conectores da BSI.
Com a maresia do litoral pelo meio, a humidade nos pinos sob tensão permanente dá eletrólise: o cobre desfaz-se e formam-se pontes condutoras entre pinos e massa. Por isso dizemos sempre o mesmo à oficina: desentope os drenos antes de montar a unidade, ou a reparação dura um inverno.
4. O PIN que a EEPROM perde e as chaves que deixam de servir
O código do imobilizador, o VIN e a configuração da viatura vivem numa EEPROM série SPI, tipicamente uma ST95128, ST95256 ou ST95640. Se tentas arrancar com a bateria fraca, ou se levas um pico de umas pinças mal ligadas, a queda de tensão apanha o microcontrolador a meio de um acesso a essa memória.
As linhas de dados corrompem-se e a BSI passa a não reconhecer chaves que sempre reconheceu. Não há peça queimada. Em bancada lê-se a EEPROM, corrige-se o bloco afetado e volta-se a casar a BSI com o transponder e com a centralina. Não há jogo de chaves novo para encomendar.
> leitura BSI — Peugeot 208 / 308 / Citroën C3⚠ B1003 corrupção de telecodificação na EEPROM⚠ B1805 relé de inibição de arranque fora de gama⚠ B1300 curto na linha de comando da iluminação exterior⚠ U0140 sem comunicação entre ECU e BSI✔ consumo em repouso após reparação: dentro do previstoEscolhe o sintoma para veres a causa provável
Escovas sem parar com a chave fora
Micro-relé colado na posição fechada
BSI virgem de fábrica, em vez de reparar a unidade original
BSI nova no concessionário
mais IVA, três a quatro semanas de espera e telecodificação online obrigatória, com as chaves atuais por emparelhar de novo.
Reparação em laboratório
em bancada, com o relé ou o driver identificado e substituído, PIN e VIN preservados, e a unidade devolvida Plug & Play.
O que fazer antes de autorizar um orçamento
- Passo 01
Descreve o sintoma com precisão
Escovas, luzes ou chave recusada apontam para zonas diferentes da mesma placa
- Passo 02
Verifica os drenos sob a grelha do pára-brisas
Se saiu água de lá, a causa está encontrada
- Passo 03
Mede o consumo em repouso antes de comprar bateria
Uma bateria que morre em horas raramente é culpa da bateria
- Passo 04
Exige o código de avaria por escrito
Um B1300 e um B1003 não são a mesma reparação nem o mesmo valor
- Passo 05
A tua oficina desmonta a BSI e coordena connosco o envio
A viatura não sai de onde está
Tens um 208, um 308 ou um C3 com luzes acesas, escovas descontroladas ou a chave recusada? Manda-nos o modelo, o ano e o código de avaria.
Perguntas frequentes
Depois da reparação é preciso reprogramar as chaves?
Não. Intervimos na placa original ou, quando ela já não tem recuperação, clonamos a EEPROM para a unidade de substituição. O PIN, o VIN e a codificação dos comandos mantêm-se, e a BSI volta a reconhecer as chaves que já tens.
Desentupir os drenos chega para a avaria não voltar?
É o passo sem o qual nada dura, mas não substitui a reparação. Se a água já entrou, há corrosão ativa na placa que continua a alastrar depois de tudo secar. A ordem certa é reparar a unidade e limpar os tubos antes de a montar.
A viatura passa na IPO depois da intervenção?
Sim, desde que as funções em falta voltem a operar. Luzes, escovas, avisadores sonoros e comandos de porta ficam a funcionar como de fábrica, e é isso que a linha de inspeção verifica.
O teu carro tem algum destes problemas? Escreve-nos agora.